Desperdício hospitalar: como mapear e evitar o problema

18 de outubro de 2019 · Sem categoria ·

Uma boa gestão de pessoas e insumos otimiza o trabalho e aumenta a qualidade do atendimento ao público em todo tipo de ambiente. No caso dos hospitais, é comum que o receio do desabastecimento resulte em estoques superlotados, produtos vencidos e orçamento comprometido. Esse tipo de desperdício hospitalar pode ser mais visível na gestão, mas não é o único que deve ser monitorado. 

Confira três fatores que precisam de atenção dentro das unidades e que podem comprometer o desempenho. 

 1 – TEMPO:

 O uso inteligente do tempo resulta não só em economia financeira, como em excelência no atendimento. A insatisfação do paciente aumenta proporcionalmente ao tempo em que ele espera nas filas ou aguarda uma solução rápida para o seu problema. E não são apenas profissionais de saúde que devem se preocupar com o período que gastam para executar as atividades.

A própria organização logística de um hospital pode causar transtornos e atrasos com deslocamentos que comprometem várias áreas, como a higienização e limpeza, o serviço de nutrição e dietética, a rouparia, a coleta de resíduos, a distribuição do enxoval, os atendimentos de manutenções, entre outros. A equipe de gestão precisa identificar os problemas em tempo hábil para propor soluções que vão desde a alocação de grupos de funcionários em um mesmo bloco, a reformas estruturais.

 2 – Espaço Físico:

Gerir bem os espaços físicos das unidades resulta não somente em economia de tempo, como também em eficácia na prestação dos serviços de apoio, podendo impactar na disponibilidade de leitos. A ocupação destoante dos leitos ou a má distribuição entre setores reduz as possibilidades de atenção ao público e de um funcionamento financeiramente viável. 

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Foto: Olavo Maneira

Ainda podem causar a impressão de má organização de processos de trabalho que refletem na assistência ao paciente, pois geram insatisfação e ideia de mau planejamento, o que pode não ser verdade.

Necessário, portanto manter uma gestão contínua da utilização do espaço físico, incluindo a redução de internações prolongadas, desde atrasos na liberação de exames até o tempo utilizado na higienização de leitos e liberação dos mesmos para nova internação.

3 – Material:

Numa pesquisa da Universidade de São Paulo (USP) com 189 profissionais de enfermagem e médicos, o desperdício de materiais foi o mais apontado pelas duas categorias (36%). O problema, geralmente, está associado a: 

  • falta de capacitação dos funcionários;
  • má gestão;
  • desvios e furtos;
  • vencimento;
  • falta de tecnologia de monitoramento.

É preciso ter um controle acurado das compras realizadas, dos itens estocados, incluindo a distribuição adequada dos insumos e uma reavaliação periódica das práticas e processos internos de trabalho, com renegociações frequentes com fornecedores e conhecimento de prazos e da capacidade de atendimento de cada um.

Experiência local

No Hospital Metropolitano Dr. Célio de Castro, fruto de uma parceria público-privada, onde o parceiro privado Novo Metropolitano executa os serviços de apoio à assistência, a adoção de comitês temáticos conjuntos com o parceiro público responsável pela execução dos serviços assistenciais, gerou várias práticas que ajudaram a reduzir o desperdício. Confira algumas ações implementadas pelos comitês:

  • Criação de kits de enxoval para funcionários;
  • Treinamentos para melhor utilização do enxoval hospitalar;
  • Implantação de controle de distribuição de enxoval para profissionais através de sistema de gestão RFID;
  • Adoção de enxoval com tecido leve para profissionais;
  • Ajustes de processos nas saídas de pacientes com alta hospitalar;
  • Intensificação da gestão de coleta de resíduos, com foco na correta segregação dos mesmos;
  • Implantação de aeradores nas torneiras para redução do consumo de água;
  • Ajustes nos horários de funcionamento do sistema de ar condicionado, gerando redução no consumo de energia;
  • Ajustes no processo de distribuição interna de gases medicinais; 
  • Implantação de sistema automatizado de higienização de utensílios de cozinha; 
  • Utilização de maquinário para higienização otimizada na área cozinha;
  • Produção alimentícia ajustada diariamente conforme demanda dos pacientes do hospital, com controle rígido de sobras.